Ato do 8M em Cuiabá reúne mulheres contra a violência e denuncia Mato Grosso entre os estados que mais matam mulheres no país


A Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (ADUNEMAT) esteve presente no ato público realizado neste domingo (8), em Cuiabá, data que marca o Dia Internacional de Luta das Mulheres. A mobilização reuniu movimentos sociais, entidades sindicais, organizações feministas e representantes políticos em defesa da vida das mulheres e contra o avanço da violência de gênero no país.
A manifestação ocorreu em frente à feira do CPA 2 e integrou a agenda nacional de mobilizações do 8M. Entre as pautas levantadas estavam o combate à violência contra as mulheres, a ampliação da representação política feminina, a defesa da soberania nacional, a defesa dos povos e o fim da escala de trabalho 6×1.




ADUNEMAT reforça papel da universidade no combate à violência
Representando a ADUNEMAT S. Sindical do Andes-SN, a presidente destacou a importância da presença da universidade pública e do movimento docente na luta contra a violência de gênero, especialmente em um estado marcado por altos índices de feminicídio. Segundo ela, a realidade da violência contra as mulheres também atinge diretamente os municípios do interior, onde a universidade está presente.
“Estamos aqui com a representação da UNEMAT. Nós estamos sediados no interior do estado e presentes em diversos municípios. E pra nós não é diferente: a violência contra mulheres e o feminicídio também estão presentes nas cidades do interior”, afirmou.
Durante a fala, Luciene ressaltou que o enfrentamento à violência exige políticas públicas mais efetivas e o fortalecimento da educação como instrumento fundamental de transformação social.
“Precisamos construir políticas públicas mais efetivas para combater esse mal que existe no nosso país e de maneira muito forte aqui em Mato Grosso. Enquanto universidade e sindicato, buscamos sempre trabalhar pela educação, porque é preciso educar mulheres e homens para que a violência seja intolerável na nossa sociedade”.
Ela também destacou o papel das instituições educacionais no enfrentamento à cultura machista que sustenta a violência de gênero.
“Precisamos educar meninas e meninos para que a violência seja simplesmente exterminada da nossa vida em sociedade. Os homens precisam entender que nós mulheres não somos objeto e não podemos ficar à mercê dos seus desejos. O que queremos é simplesmente uma vida digna, sem violência e sem feminicídio”, destacou.

Mato Grosso está entre os estados que mais matam mulheres
A denúncia da violência contra as mulheres esteve no centro das falas durante o ato. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que o Brasil encerrou 2025 com 1.568 feminicídios, o equivalente a uma mulher assassinada a cada cinco horas. A taxa nacional foi de 1,59 morte por 100 mil mulheres adultas, índice que permanece alto e distante de qualquer cenário de tolerância zero.
Entre os estados com as maiores taxas de feminicídio estão principalmente unidades das regiões Norte e Centro-Oeste. O Acre lidera o ranking com 3,37 mortes por 100 mil mulheres, seguido por Rondônia (3,17). Mato Grosso aparece logo em seguida, com 2,88, colocando o estado entre os que mais matam mulheres proporcionalmente no Brasil. Ao todo, 53 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso em 2025, número que reforça a gravidade do cenário e a urgência de políticas públicas efetivas de prevenção e proteção.





Dez anos da lei e desafios persistentes
Os dados evidenciam que, mesmo após avanços legislativos importantes, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, o país ainda enfrenta grandes desafios para reduzir a violência letal contra mulheres. Em 2015, primeiro ano após a tipificação do feminicídio, foram registrados 449 casos no Brasil. Dez anos depois, o número mais que triplicou, revelando o crescimento da violência motivada por gênero.
Outro dado alarmante é o aumento da participação do feminicídio dentro dos homicídios de mulheres: o percentual passou de 9,4% em 2015 para 41,2% em 2025, evidenciando que grande parte dessas mortes está diretamente relacionada à violência doméstica, ao menosprezo ou à discriminação contra mulheres.
O ato em Cuiabá foi convocado por diversas organizações e movimentos sociais, entre eles a Central Única dos Trabalhadores (CUT-MT), o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), o Fórum de Mulheres Negras de Mato Grosso, o Levante Popular da Juventude, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), além de coletivos e organizações locais.
Assessoria ADUNEMAT
Fotos: ADUNEMAT






