Jornada Continental em Mato Grosso debate ataques aos migrantes e defesa da soberania

Atividades em Cáceres e Cuiabá fortalecem solidariedade e mobilização de trabalhadores frente a políticas migratórias internacionais.

Nesta semana, Mato Grosso foi palco de duas importantes atividades da Jornada Continental pelo Direito de Migrar e em Defesa da Soberania dos Povos, mobilização que ocorre entre 8 e 14 de março em diversos países das Américas. Os debates visaram denunciar os ataques aos direitos dos migrantes e reforçar a defesa da soberania dos países diante de políticas imperialistas que avançam globalmente.

Em Mato Grosso, a programação incluiu um debate na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), no Campus Jane Vanini em Cáceres, na quarta-feira (11), e outra atividade na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, na quinta-feira (12).

A jornada reúne, em toda a América, organizações sindicais, movimentos sociais e entidades políticas do continente, em resposta às políticas migratórias e à atuação internacional do governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump. A mobilização foi convocada durante a Conferência Continental para a Defesa dos Direitos dos Migrantes e da Soberania Nacional, realizada na Cidade do México, em setembro do ano passado.

Segundo o tesoureiro-geral da Associação dos Docentes da Unemat (ADUNEMAT – Seção Sindical do ANDES-SN), professor Domingos Sávio, que participou das atividades em Mato Grosso, a política migratória em curso atinge trabalhadores e povos de todo o continente, o que torna fundamental ampliar o debate sobre o tema.

Domingos Sávio também integrou a delegação da ADUNEMAT durante o 44º Congresso do ANDES-SN, realizado de 2 a 6 de março, em Salvador, onde destacou, em uma das intervenções do evento, a importância da solidariedade internacional em defesa do direito de migrar e da soberania dos países. Assista AQUI a fala.

Em entrevista concedida ao Jornal da Cultura, com Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo, na manhã desta sexta-feira (13), Domingos falou sobre a Jornada Continental pelo Direito à Migração e em Defesa da Soberania Nacional e destacou que o ANDES-SN aderiu à Jornada durante o congresso.

“Nosso sindicato nacional decidiu integrar essa jornada continental pelo direito de migrar e em defesa da soberania nacional por conta da política do governo dos Estados Unidos e das consequências dessa política em escala continental. Quando falamos em escala continental, é continental mesmo: do Canadá à Argentina. Essa política está atingindo a todos”, disse Domingos.


Debates em universidades fortalecem a mobilização

Em Cáceres, o debate “Faces da crise atual: os ataques aos migrantes e à soberania nacional” reuniu estudantes e docentes na entrada do bloco dos cursos de História e Geografia da Unemat, Campus Jane Vanini.

O professor Domingos Sávio realizou uma exposição inicial de cerca de 40 minutos e, em seguida, o debate foi aberto ao público, com ampla participação de estudantes e professores. O evento integrou a recepção dos calouros do curso de História no semestre 2026/1 e a programação da Jornada Continental.

“Nos Estados Unidos há cerca de dois milhões de migrantes brasileiros. Uma parte deles está sendo cotidianamente deportada. Praticamente toda semana chega um avião de deportados ao Brasil. Muitos desses deportados e muitos daqueles migrantes que estão lá ameaçados de deportação são estudantes e pesquisadores brasileiros”, destacou Domingos na mesma entrevista.

Em Cuiabá, o debate na UFMT reuniu representantes de sindicatos docentes, movimentos sociais, a Pastoral do Migrante e migrantes, ampliando a troca de experiências e fortalecendo a articulação sindical e social local.

Como encaminhamento das discussões em Mato Grosso, em especial da atividade em Cuiabá, os participantes decidiram criar um fórum permanente de debate sobre migração, direitos humanos e soberania, mantendo atividades ao longo do ano e ampliando o diálogo com a sociedade.

Solidariedade e defesa da soberania

Além da pauta migratória, os debates abordaram a defesa da soberania dos países latino-americanos e os impactos das interferências externas em processos políticos na região.

“A mobilização visa reforçar a solidariedade de classe e contrapor a política do governo dos Estados Unidos, que pressiona inclusive o governo brasileiro. Essa solidariedade é essencial para fortalecer a resistência internacional dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou o professor Domingos Sávio.

Segundo ele, o fortalecimento da organização dos trabalhadores e a cooperação internacional entre movimentos sociais são essenciais para enfrentar políticas que aprofundam desigualdades e tensões no continente.


Assessoria ADUNEMAT