Presidenta da ADUNEMAT participa de debate sobre feminismo e violência de gênero e reforça pauta como bandeira histórica de luta

Atividade ocorreu na tarde desta quinta-feira (26), na UFMT, em Cuiabá

A presidenta da ADUNEMAT – Seção Sindical do ANDES-SN, professora Luciene Neves, participou na tarde desta quinta-feira (26) de uma importante mesa de diálogo sobre feminismo e violência de gênero, realizada na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. A atividade integrou a programação de um projeto de extensão do Instituto de Educação (IE) e reuniu estudantes, docentes e comunidade externa em um auditório cheio, evidenciando a urgência e a relevância do tema.

Além da Dra. Luciene Neves, a mesa-redonda contou com a participação das palestrantes Profa. Dra. Lélica Lacerda e Dra. Silvana Bittencourt, que trouxeram diferentes abordagens sobre a violência de gênero e os caminhos de enfrentamento a partir da educação, da organização social e da luta feminista.

O debate trouxe reflexões amplas sobre as múltiplas formas de violência de gênero, desde as mais explícitas até aquelas historicamente naturalizadas no cotidiano das mulheres. Na abertura, a profa. Dra. Janaína da Costa compartilhou vivências pessoais que revelam como essas violências são introjetadas desde cedo. “Eu naturalizei ser chamada de burra. Fui educada a aceitar a violência”, relatou, destacando que hoje seu compromisso é romper esse ciclo e educar seus filhos para que não reproduzam nenhuma forma de violência.

A professora Lélica Lacerda contribuiu com uma análise estrutural da violência contra a mulher, relacionando-a à lógica da propriedade privada e às bases do sistema capitalista. Em sua fala, apontou caminhos possiveis para enfrentar essas desigualdades e defendeu a construção de novas masculinidades. “Existe um complexo que tenta recolocar o homem na posição patriarcal. Precisamos avançar”, afirmou. Também chamou atenção para fatores contemporâneos, como a escala de trabalho 6×1, que impacta diretamente a organização familiar e amplia a exposição de crianças e jovens a conteúdos misóginos nas redes. “O neoliberalismo nos empurra para o trabalho doméstico não remunerado e tenta, pela violência, nos impedir de estudar e trabalhar”, destacou.

A professora Silvana Bittencourt trouxe um resgate histórico das políticas de enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil. Ela lembrou que, no início de sua trajetória profissional, sequer existia a Lei Maria da Penha, e que o reconhecimento legal da violência era limitado aos casos de lesão corporal. “Hoje falamos de violência patrimonial, psicológica, moral. Houve avanços importantes, mas seguimos em uma sociedade que reproduz violência o tempo todo”, afirmou. Silvana também abordou a construção do movimento feminista no Brasil, problematizando estereótipos e destacando a importância da solidariedade entre mulheres. “O feminismo está ligado a mudar a nossa forma de pensar o mundo. É um pensamento que contribui para uma sociedade sem violências”, reforçou, ao apresentar dados preocupantes sobre a realidade de Mato Grosso.

Em sua intervenção, a presidenta da ADUNEMAT, Luciene Neves, destacou que o debate sobre gênero e feminismo é fruto de um processo histórico de luta. “Quando eu comecei, não existiam esses espaços de discussão. Muitas vezes, sem saber o que era feminismo, eu já estava enfrentando regras que não faziam sentido”, afirmou, ao relembrar experiências pessoais de enfrentamento ao patriarcado.

Luciene também ressaltou a importância da formação teórica em sua trajetória, citando autoras como Guacira Louro como referências fundamentais para compreender as diferentes vertentes do feminismo e os estudos de gênero. Ao analisar o cenário atual, apontou os impactos da polarização e das reações conservadoras. “Esse tensionamento é resultado do avanço dos feminismos. Não fomos nós que mudamos a sociedade sozinhas, mas estamos fazendo o patriarcado estremecer, e isso gera reação”, afirmou.

A dirigente sindical reforçou ainda que o conceito de gênero é central para compreender as relações sociais e as desigualdades. “Quando as mulheres questionam o acúmulo de jornadas e exigem divisão do trabalho doméstico e do cuidado, isso é resultado direto das lutas feministas”, destacou. Para Luciene, os altos índices de violência também refletem esse momento de disputa na sociedade. “Do ponto de vista de muitos homens, há uma resistência em aceitar essas mudanças”, completou.

Ao final, Luciene indicou como leitura a obra Diversidade sexual e de gênero e marxismo, de Bruna Irineu, e mencionou sua participação recente, representando a ADUNEMAT, em audiência pública realizada em Cáceres, que também discutiu a temática.

A atividade foi encerrada com um diálogo aberto entre as debatedoras e o público, fortalecendo o papel da universidade e do movimento sindical na construção de uma sociedade mais justa e livre de violências. A íntegra do debate está disponível no canal do projeto no YouTube. Acesse abaixo:

Fonte: Assessoria ADUNEMAT