ALMT aprova RGA de 5,4%, mas servidores seguem com perdas salariais superiores a 18%; ADUNEMAT esteve na sessão desta quarta-feira e intensificou a pressão

Com as galerias lotadas e sob forte pressão dos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público estadual, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, nesta quarta-feira (21/01), o Projeto de Lei que trata da Revisão Geral Anual (RGA) de 2026, fixada em 5,4%. O percentual, embora superior ao inicialmente enviado pelo governo do Estado, está longe de recompor as perdas salariais acumuladas pelo funcionalismo nos últimos anos, que ultrapassavam 19%.


A ADUNEMAT – Seção Sindical do ANDES-SN esteve presente na sessão plenária, com integrantes da diretoria e docentes de sua base, somando forças à mobilização unificada que reuniu mais de 25 categorias do funcionalismo público estadual (poder executivo), além se servidores do poder judiciário de Mato Grosso. A presença massiva nas galerias foi fundamental para pressionar o Legislativo e explicitar a insatisfação dos servidores diante do desrespeito sistemático do governo Mauro Mendes com o direito à recomposição salarial.


Inicialmente, o Executivo havia encaminhado à ALMT um projeto prevendo apenas 4,26%, correspondente à inflação de 2025. Na tarde desta quarta-feira, poucas horas antes da votação em plenário, o governo enviou um substitutivo acrescentando 1,14% ao índice original, totalizando os 5,4% aprovados.

Para as entidades sindicais, o recuo parcial do governo não representa respeito ao funcionalismo, mas sim uma resposta mínima à intensa mobilização e o medo por se tratar de ano eleitoral. As perdas salariais acumuladas nos últimos cinco anos chegaram a 19,52%, conforme levantamento do Dieese publicado em 2025.

O tesoureiro-geral da ADUNEMAT, professor Domingos Sávio, criticou duramente o percentual aprovado. “Esse acréscimo de 1,14% resulta num total de 5,4%, absolutamente insuficiente frente às perdas que acumulamos no último período, que chegam a quase 20%, fora o IPCA do ano passado”, destacou.

Pressão nas ruas e cálculo eleitoral

A presidenta da ADUNEMAT, professora Luciene Neves, avaliou que a mudança na postura do governo e da base aliada está diretamente relacionada ao contexto eleitoral de 2026. “O Executivo encaminhou inicialmente 4,26% e, hoje, apresentou 5,4%. Essa pequena mudança de ânimo não veio por respeito aos servidores, mas pela pressão das mobilizações da semana passada e, principalmente, da grande mobilização de hoje”, afirmou.

Para Luciene, o objetivo do governo e de sua base na ALMT é “ficar bem na fita” em ano eleitoral. “Isso não significa que o governador passou a nos ouvir ou a nos respeitar. Ele continua não atendendo os servidores. O que houve foi um pequeno recuo diante da força da mobilização”, reforçou.

Negociação intensa

Antes da votação, representantes das entidades sindicais participaram de diálogos com parlamentares nos corredores e de uma reunião com o presidente da ALMT, deputado Max Russi, logo após a chegada do projeto substitutivo à Casa de Leis. O encontro evidenciou a insatisfação generalizada com o governo e a cobrança por uma solução efetiva para as perdas salariais.


Com o passar da votação da RGA, tramitará na ALMT uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca reconhecer oficialmente a dívida do Estado com os servidores públicos. A leitura da proposta foi realizada em plenário pela deputada Janaína Riva (MDB).

Segundo a parlamentar, a PEC tem como objetivo garantir segurança jurídica e financeira aos servidores. “Para que não corramos risco e não coloquemos em perigo a já desgastada vida financeira dos servidores, estamos apresentando uma emenda constitucional que reconhece a dívida do Estado. Essa PEC não precisa de sanção do governador: ela tramita, é aprovada e promulgada pela própria Assembleia Legislativa”, explicou.

Luta continua

Com a aprovação da RGA de 5,4%, a diretoria da ADUNEMAT reforça que a mobilização está longe de terminar. Para a entidade, é fundamental que a categoria docente e todo o funcionalismo público estadual sigam organizados e em luta pelo pagamento integral das perdas salariais.

“Precisamos continuar mobilizados para garantir nosso direito às perdas acumuladas ao longo dos últimos anos. Elas eram de 19,52% e, com esse 1,14% a mais, houve apenas um abatimento irrisório. A luta continua, e todos devem acompanhar os próximos comunicados, pois seguiremos debatendo e construindo novos encaminhamentos junto à Federação dos Servidores Públicos do Estado”, afirmou Luciene Neves.

Domingos Sávio também destacou a importância de ampliar a pressão para além das mobilizações. “A resposta a esse governo precisa vir com a continuidade da luta, para arrancar o que falta das perdas, mas também nas urnas. Muitos integrantes do governo e deputados desta Assembleia são candidatos à reeleição. Quem não está do lado dos trabalhadores precisa ser responsabilizado”, afirmou.

O dirigente concluiu reforçando a trajetória histórica de lutas da categoria. “A luta tem que continuar. A história da mobilização na UNEMAT nos ensinou que é somente com organização e mobilização que conquistamos direitos. É esse o caminho que a ADUNEMAT conhece e seguirá trilhando”, finalizou.

Assessoria ADUNEMAT
Fotos: ADUNEMAT