Delegação da ADUNEMAT participa do 69º Conad do ANDES-SN, no Maranhão; Confira as principais resoluções


Com uma delegação composta pelos professores Domingos Sávio (delegado) e Tânia Silva e Diones Krinski (observadores), a Associação dos Docentes da Unemat (ADUNEMAT) Seção Sindical do ANDES-SN participou do 69º Conselho do ANDES-SN (Conad), realizado entre os dias 3 e 5 de julho de 2026, em São Luís (MA).
Sediado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e organizado pela Apruma – Seção Sindical, o evento reuniu mais de 300 docentes sob o tema central “Guarnicê a luta pela educação pública na terra da Balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita”.








Abertura destaca cultura maranhense e resistência popular
O encontro teve início na sexta-feira (3), com as boas-vindas dos cazumbás, figuras místicas do bumba meu boi maranhense, valorizando a cultura e a resistência popular local.
Durante a mesa de abertura, foram lançadas a edição nº 78 da revista Universidade & Sociedade e a Enquete Nacional sobre Condições de Trabalho e Saúde Docente. O levantamento apontou que oito em cada dez professores se sentem sobrecarregados, evidenciando o agravamento das condições de trabalho da categoria.
Tema I: Conjuntura e movimento docente
Ainda na sexta-feira, a Plenária do Tema I concentrou-se na análise da conjuntura nacional e internacional. Os debates destacaram as crises estruturais do capitalismo e a necessidade de organização da categoria para enfrentar o avanço da extrema direita e do imperialismo. Também foram feitas críticas ao governo federal em relação à privatização da educação, ao arrocho fiscal e ao descumprimento de acordos com o funcionalismo.
O plenário avaliou ainda que as eleições de 2026 representarão uma batalha decisiva para a classe trabalhadora. O debate foi encerrado com manifestações de solidariedade internacionalista às resistências na Bolívia, Palestina, Cuba e Argentina. Foi reafirmado o apoio aos povos oprimidos pelo cerco imperialista e a necessidade de reforçar a luta contra as opressões, especialmente das mulheres trabalhadoras, como um eixo central da atuação sindical.
Tema II: Planos de luta e principais aprovações
O sábado (4) foi marcado pela Plenária do Tema II, que atualizou os planos de luta dos diversos setores do sindicato.
Entre as principais deliberações estão:
- Entrada no FNE: foi aprovado que o ANDES-SN solicitará oficialmente sua entrada no Fórum Nacional de Educação (FNE), buscando dialogar com outras entidades na defesa da educação pública.
- Eleições de 2026: deliberou-se pela atuação incisiva do sindicato desde o primeiro turno das eleições de 2026, com o objetivo de garantir a derrota eleitoral da extrema direita. Além disso, a plenária aprovou que o ANDES-SN encaminhe uma carta às candidaturas majoritárias e proporcionais do campo de esquerda, apresentando uma síntese das pautas centrais da categoria docente e destacando a importância da luta contra a extrema direita e da unidade de ação das lutas populares e sindicais.
- Setor das IEES, IMES e IDES: diretamente relevante para a ADUNEMAT, foi aprovada a realização do XXII Encontro do Setor entre os dias 27 e 29 de novembro, em Dourados (MS). Também ficou definida a intensificação das denúncias contra governos estaduais que atacam as carreiras docentes e o financiamento das universidades.
- Carreira e direitos: a categoria reafirmou a defesa de uma carreira única, com a aplicação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), além da criação de protocolos para garantir adequação da carga horária de docentes com demandas de cuidados familiares.
- Mobilizações: foi aprovada a construção de um Dia de Luta pelo fim da escala 6×1, sem redução salarial e de direitos, o fortalecimento da campanha “Lutar não é crime”, em defesa da liberdade de cátedra, e o combate permanente à plataformização e ao uso acrítico da Inteligência Artificial no ensino superior.
Tema III: Organização e finanças
Na manhã de domingo (5), a Plenária do Tema III votou resoluções sobre questões organizativas e financeiras, reafirmando o compromisso do ANDES-SN com a transparência. As delegadas e os delegados aprovaram a prestação de contas do exercício de 2025 e a previsão orçamentária para 2027.
Outra decisão importante foi a criação de uma comissão mista, composta por integrantes da diretoria e representantes da base, eleitos na própria plenária. O grupo será responsável por elaborar uma proposta de alteração no formato e na metodologia dos Congressos e Conads.
Também foi definida, por aclamação, a cidade de Campinas (SP) como sede do 70º Conad, que será organizado pela Adunicamp no próximo ano.
Encerramento reafirma unidade da categoria
As plenárias deliberativas atualizaram as lutas do Grupo de Trabalho de Seguridade Social, reafirmando o fortalecimento da mobilização pelo fim da contribuição previdenciária de aposentadas e aposentados, pela paridade entre ativos e aposentados e pela equiparação do auxílio-saúde dos servidores federais.
O 69º Conad encerrou suas atividades na tarde de domingo, com um amplo conjunto de deliberações e a reafirmação de que a categoria seguirá mobilizada e unificada na luta em defesa da educação pública, dos direitos da classe trabalhadora e contra o imperialismo e a extrema direita.
Moções aprovadas reforçam pautas sociais e políticas
Os delegados e as delegadas do 69º Conad aprovaram, por aclamação, um bloco de 16 moções que expressam as lutas do movimento docente e o caráter classista do Sindicato Nacional. Entre os destaques estão o repúdio à privatização de escolas estaduais no Rio Grande do Sul e ao projeto de lei que fragiliza o ensino de filosofia e sociologia na educação básica.
A plenária também manifestou a urgência da mobilização pela aprovação, no Senado, da redução da jornada de trabalho para 30 horas sem redução salarial e ao fim da escala 6×1, além de exigir celeridade no julgamento de ações em defesa da população trans no STF. As e os participantes também declararam apoio à aprovação do projeto de lei estadual de Minas Gerais 5365/2026, em defesa da democracia e autonomia nas universidades estaduais mineiras.
Outras moções incluíram manifestação de apoio ao docente da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitor Cei, que se tornou alvo de ataques e ameaças, devido ao seu projeto de pesquisa que aborda o conceito de “cristofascismo bolsonarista” na literatura e na política; o repúdio à regulamentação da educação domiciliar e à presença da empresa Palantir no Brasil. As e os docentes também repudiaram veementemente os adiamentos sucessivos no calendário eleitoral para diretorias de centros na UFMA, cujas eleições deveriam ter ocorrido em março de 2026.
Carta de São Luís: um manifesto de resistência
Um dos momentos marcantes do encerramento foi a leitura da Carta de São Luís. O documento resgata as memórias de luta do Maranhão, como a Balaiada, para inspirar a resistência atual contra o avanço da extrema direita na América Latina.
A carta define como prioridade política a derrota das candidaturas de direita e extrema direita já no primeiro turno das próximas eleições e reafirma a campanha “Lutar não é crime”, em resposta à criminalização da categoria docente e os recorrentes ataques às universidades públicas. O texto também saúda a entrada do ANDES-SN no Fórum Nacional de Educação (FNE) e a adoção do ecossocialismo como uma bandeira central do sindicato frente à crise ambiental. O documento será divulgado posteriormente à categoria.
Assessoria ADUNEMAT
Fonte: Andes-SN






