Cenário pós-eleições e as lutas da ADUNEMAT; Reafirmando o compromisso com a categoria e fortalecendo as reivindicações históricas


Com o encerramento do primeiro turno das eleições de 2026, que definiu, em Mato Grosso e no Brasil, deputados estaduais, deputados federais e a maioria dos governadores, além de levar a disputa presidencial ao segundo turno, a ADUNEMAT – Seção Sindical do ANDES-SN reafirmou, nesta segunda-feira (5), seu compromisso com a defesa da universidade pública, dos direitos da categoria docente e das reivindicações históricas dos servidores públicos de Mato Grosso, além da defesa das pautas da classe trabalhadora no âmbito nacional.
Para a presidente da entidade, Dinairan Souza, o cenário político exige atenção e organização da categoria diante dos desafios para os próximos quatro anos. Ao avaliar o cenário político após as eleições, Dinairan destaca que a conjuntura nacional e estadual exige atenção dos servidores públicos, especialmente diante de medidas e posições que, segundo ela, representam ataques ao serviço público e aos trabalhadores.
“A gente já consegue analisar que o cenário nacional, como um todo, é um cenário que depende de muita atenção de todos. O Senado e as Câmaras de Deputados, Estadual e Federal, representam perspectivas neoliberais, que atacam o serviço público, que atacam os servidores públicos. No âmbito do Estado do Mato Grosso, essa situação se repete.”

Em Mato Grosso, a Adunemat entrou em contato com todas as assessorias de campanha dos três candidatos que mais despontavam para ganhar o governo do estado, e que o governador eleito, em primeiro turno, nem assinou nem deu qualquer resposta. Isso por si já marca uma posição que deixa toda comunidade unematiana, de todos os campi, em alerta.
“A gente tem um governador já eleito, um governador que foi convidado a assinar uma carta com as principais reivindicações da instituição, da Universidade do Estado de Mato Grosso, e que não sinalizou nenhum indicativo de interesse para se quer conhecer o conteúdo da carta.”
Autonomia financeira da UNEMAT
Entre as reivindicações apresentadas pela entidade está a garantia da autonomia financeira da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), com orçamento vinculado à Receita Corrente Líquida do Estado.
Dinairan explica que a medida é necessária para garantir recursos para o funcionamento da universidade e a manutenção dos serviços prestados à população.
“Nessa carta, nós apresentamos as principais reivindicações dessa Universidade, que é estadual e que, portanto, depende do Governo do Estado, como a autonomia financeira da Unemat, que precisa estar garantida e ligada diretamente a receita corrente líquida do Estado para que tenha um orçamento que garanta o mínimo do que a universidade precisa para prestar os serviços à população de Mato Grosso.”
RGA e direitos dos servidores
Entre as reivindicações que envolvem todos os servidores públicos estaduais está o pagamento dos passivos da Revisão Geral Anual (RGA). A ADUNEMAT aponta que os passivos acumulados chegam a 18,38%. Na avaliação de Dinairan, a pauta é uma das principais reivindicações da categoria e ultrapassa os limites da universidade.
“O pagamento do RGA, que já está atrasado há anos, então a gente tem essa reivindicação extremamente importante da categoria de servidores públicos, no geral, que atinge mais do que os servidores desta universidade, atinge todos os servidores do poder executivo do Estado.”
A Adunemat também reivindicou na carta e seguirá defendendo o fim da cobrança previdenciária de 14% sobre os proventos de aposentados e pensionistas.
“É extremamente importante o fim da cobrança dos 14% sobre os aposentados. A gente sabe que os servidores que serviram sua vida inteira, que trabalharam, prestaram serviço a esse Estado, é muito difícil que no momento em que as pessoas estejam numa situação de mais idade, que têm mais gastos relacionados a saúde ainda lhe seja cobrado, um imposto tão alto sobre os seus salários.”
Concurso público para atender à demanda da UNEMAT
Uma das grandes reivindicações da Adunemat é a realização de concurso público que atenda à demanda real da universidade. Segundo a entidade, a Unemat está há mais de 13 anos sem a realização de concurso público e enfrenta um déficit de pessoal de 347 vagas. A situação também preocupa diante do número de docentes que se encontram próximos da aposentadoria.
“A realização de concurso público que atenda a real demanda da instituição, e com uma categoria que já tem a grande parte de seus docentes à beira da aposentadoria.”
Continuidade da luta
A Carta-Compromisso encaminhada durante o período eleitoral aos candidatos e, recebida apenas por uma candidata, reuniu reivindicações relacionadas à autonomia financeira da Unemat, à realização de concurso público, ao pagamento da RGA e ao fim da cobrança de 14% sobre aposentados.
Com o encerramento das eleições e a definição do próximo governo, a Adunemat afirma que as reivindicações permanecem em pauta. Para a entidade, a disputa em defesa dos direitos dos servidores e da universidade pública continuará exigindo organização e atenção da categoria.
Ao concluir sua avaliação sobre o cenário, Dinairan reforça a necessidade de mobilização dos servidores da Unemat diante dos próximos anos.
“São essas as nossas reivindicações e a gente percebe que, neste momento, o cenário merece atenção de toda categoria, que todos os servidores públicos, mas especialmente falando de dentro da Unemat, precisa estar em alerta, cuidadosa para o que vai ser desenvolvido nesses quatro anos.”
Confira abaixo a íntegra da carta da ADUNEMAT, elaborada durante o primeiro turno das eleições, com as pautas de reivindicação apresentadas às candidaturas.






