ADUNEMAT participa do XIV Copene e reforça compromisso com a luta antirracista na educação pública

A ADUNEMAT Seção Sindical do ANDES-SN participou do XIV Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene), realizado entre os dias 28 e 31 de julho, na Universidade de Brasília (UnB). Integrando a campanha “Sou Docente Antirracista”, a entidade reafirmou seu compromisso com a defesa da educação pública e com o enfrentamento ao racismo, entendendo que a luta por melhores condições de trabalho e a luta antirracista são pautas indissociáveis.

Considerado o maior e mais importante espaço de debate sobre relações étnico-raciais e educação antirracista no Brasil, o Copene reuniu docentes em uma ampla programação composta por conferências, mesas-redondas, painéis, oficinas, minicursos, reuniões de trabalho e atividades culturais. O evento contou com apoio político e financeiro do ANDES-SN, garantindo a participação de seções sindicais de diversas regiões do país.


Articulação entre a luta sindical e o combate ao racismo

Representando a ADUNEMAT, a tesoureira-geral Tânia destacou a importância política da participação da entidade no congresso e da articulação entre a realidade da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e o debate nacional sobre o enfrentamento ao racismo estrutural.

“O Copene hoje é considerado o maior evento do país voltado ao debate das relações étnico-raciais e da educação antirracista. O congresso reuniu as principais referências nacionais nesse campo, com uma programação bastante ampla, envolvendo palestras, mesas-redondas, oficinas, minicursos, reuniões sindicais e atividades culturais. A participação da ADUNEMAT nesse espaço é fundamental para fortalecer a construção coletiva entre as instituições comprometidas com a defesa da educação pública, da ciência e da justiça social.”

Para a dirigente, a presença da ADUNEMAT no congresso também reafirma que a atuação sindical ultrapassa a defesa das pautas salariais e incorpora o enfrentamento ao racismo como parte da luta em defesa da universidade pública.

“Nossa contribuição é conectar as lutas sindicais dos docentes da UNEMAT às pautas nacionais de combate ao racismo estrutural na educação superior. Participar do Copene fortalece campanhas nacionais, como a ‘Sou Docente Antirracista’, e demonstra que o sindicato não atua apenas na defesa de direitos econômicos, mas também assume a responsabilidade política de combater o racismo institucional dentro da universidade.”

Segundo Tânia, o intercâmbio de experiências promovido pelo congresso também fortalece a prática docente e a atuação sindical.

“Participar do Copene é uma oportunidade de revisitar referenciais teóricos e renovar as práticas pedagógicas, absorvendo metodologias voltadas para uma educação antirracista. Mais do que um ganho individual, essa experiência fortalece a luta coletiva comprometida com a defesa de uma educação pública antirracista.”

Sindicatos e a consciência de classe na resistência negra

Um dos destaques da programação foi a mesa “O papel dos sindicatos no combate ao racismo: consciência de classe e a resistência negra”, que debateu o papel das entidades sindicais na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Durante a atividade, representantes do ANDES-SN, da Fasubra e do Sinasefe defenderam que o enfrentamento ao racismo deve ser uma diretriz permanente da organização da classe trabalhadora. As entidades ressaltaram que a valorização da carreira docente, a defesa dos direitos trabalhistas e o combate às opressões de raça, gênero e classe são dimensões inseparáveis da luta sindical.

Defesa das ações afirmativas e fiscalização da Lei de Cotas

Outro momento importante do congresso foi o painel “Política sindical e luta antirracista na educação superior”, que discutiu a implementação das políticas de ações afirmativas e a efetiva aplicação da Lei de Cotas nos concursos públicos para docentes das universidades.

O debate reuniu representantes do ANDES-SN, do Observatório Opará, do Tribunal de Contas da União (TCU), do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e do Ministério Público Federal (MPF). Os participantes defenderam maior fiscalização da aplicação da legislação, com mecanismos de transparência, acompanhamento permanente e responsabilização das instituições que descumprirem a política de cotas.

As entidades também destacaram a necessidade de garantir que as vagas reservadas sejam efetivamente ocupadas pela população negra, como forma de reparar a histórica exclusão desse segmento das universidades públicas.

Compromisso permanente

Ao final do XIV Copene, ficou reafirmado que a conquista das políticas de ações afirmativas representa um avanço importante, mas sua consolidação depende da mobilização permanente dos movimentos sociais, das entidades sindicais e da comunidade acadêmica.

Com sua participação no congresso, a ADUNEMAT reforça seu compromisso com a construção de uma universidade pública, democrática, plural, socialmente referenciada e comprometida com a igualdade racial e a justiça social.

Fonte: ADUNEMAT com informações do ANDES-SN.